A arte da Sedução

A arte da Sedução

A arte da Sedução – Talvez o título desse artigo desponte a alguns leitores que pretendo comentar sobre métodos e técnicas de sedução, nesse caso sinto muito desapontá-los, pois a arte de seduzir como qualquer outra arte, não se ensina muito menos se aprende.

Casal sorrindo mostrando a Arte da Sedução

Porém gostaria de iniciar dizendo que todos nós somos sedutores naturalmente e que seduzir e ser seduzido em nossa vida cotidiana, é algo tão saudável e indispensável quanto praticar esporte ou cultivar alguma arte. Nesse sentido, é necessário primeiramente desfazer a impressão ruim que a palavra sedução nos desperta, má impressão que remonta ao seu já longínquo passado latino. De acordo com o Dicionário Aurélioseduzir vem de seducereque significa literalmente levar para o ladodesencaminhar.

Prestemos atenção nos vários significados que o Aurélio apresenta para o verbo seduzir: 1. inclinar artificialmente para o mal ou erro; 2. Enganar; 3. Desonrar; 4. Atrair, encantar, deslumbrar; 5. Levar à rebelião, revoltar.

Desses cinco significados, somente o quarto não tem um sentido evidentemente negativo. Já nos demais, o sedutor desencaminha sua presa para o mal, engano, desonra ou subversão de alguma ordem. Todos temos que levar em conta, para haver desvio, é preciso haver um caminho certo, uma verdade, uma ordem justa a se manter. Então, quando falamos de sedução, de se desencaminhar uma pessoa, se fala a partir de um ponto de vista moral, religioso etc, que se considera correto, na qual o abandono caracteriza o erro. A arte da Sedução – O rapaz que foge com a mocinha que estava trancada a sete chaves pelo pai, sem dúvida alguma é um sedutor, pois lhe permite uma vida sexual normal, que para esse pai é uma verdadeira desgraça.

Sedutor ou Sedutora?

O leitor já se terá dado conta do quanto complexa é essa discussão, pois geralmente falamos de sedução, condenando o desvio como algo nocivo e equivocado. Se estou caminhando por uma estrada lamacento e íngreme, alguém me acena e me leva para o caminho asfaltado, não posso reclamar de ter sido desencaminhadoSim! Mudei de caminho, mas para um caminho melhor. Com isso espero ter convencido o leitor de que ser seduzido e seduzir não são sempre atividades consideradas condenáveis. Levar ou ser levado para o lado pode ser algo bastante positivo, se esse novo lado escolhido for melhor.

Existe de fato o sedutor e a sedutora? Ele é o responsável pelas mudanças de rumo na vida dos seduzidos? Desde já o sedutor não é todo-poderoso. Existem seduções impossíveis. Um mendigo por exemplo seduzir um rico, pelo seu invejável estilo de vida, é algo que nunca se viu. Porém o contrário é normal. Todos que somos pobres na maioria das vezes, somos seduzidos pela riqueza. Portanto, o sedutor ou sedutora nunca nos leva a algo totalmente contrário aos nossos interesses. O que pode acontecer é que não tenhamos consciência desses interesses e desejos, e que eles só venham a tona pela figura do sedutor. A mocinha fugindo com o rapaz seguramente era dotada de sexualidade e afetividade, que os estreitos horizontes de sua vidinha não lhe permitiam desabrochar.

Finalmente, o sedutor não é o responsável único pela sedução, podemos inclusive afirmar que ele desempenha um papel secundário, já que nossa propensão consciente ou inconsciente para outros caminhos é decisiva para que o encantamento do sedutor surta realmente efeito. A arte da sedução – Nesse sentido, o sedutor ou sedutora é somente a encarnação e representação sensível daquele fantasma que nos habita.

Somos todos Sedutores

Todos somos sedutores natos pois cada um de nós, em um ou muitos aspectos do nosso dia a dia, realizamos coisas, defendemos ideias, que para outras pessoas que convivem conosco constituem inclinações, que ainda não convergiram a sua consciência, ou se aí chegaram não foram colocados em prática por uma série de medos, essencialmente pelo medo de mudar de caminho, o medo do novo.

Por essa razão, não devemos fugir aos sedutores/sedutoras, como se fossem a própria encarnação do diabo. Eles são sim a própria encarnação de, pelo menos, uma parte de nós, que quer aflorar. Quanto maior é o fascínio que certos sedutores exercem sobre nós, maior deve ser a dimensão daqueles desejos que não conhecemos ou teimamos em reprimir. Somos todos, em maior ou menor escala, sedutores e ao mesmo tempo seduzidos. Sedutores, pois lutando por nossas ambições, realizando nossos sonhos, agindo como pensamos que devemos agir, nos constituímos em exemplos para outros, e muitas vezes não tendo a menor consciência do fato. Seduzidos, porque ousamos realizar o que queríamos, inspirados pelos nossos sedutores.

O sedutor deixa de ser então, aquela figura perigosa e condenável, assumindo um contorno benéfico socialmente, por que é ele quem nos ajuda a mudar de direção. Claramente mudar de lado exige coragem. Novos caminhos são sempre novos caminhos, e há os que escolhem continuar naquele caminho íngreme e lamacento, mas bem conhecido, a tentar qualquer outro. Esse tipo de pessoa é imune à sedução e sem dúvida, não perderá tempo em ler esse artigo, por medo de ser seduzido pela sedução.

E a arte de seduzir? É possível seduzir intencionalmente ou não, mas quando alguém tem consciência dos seus efeitos sedutores, e os exercita, pode tornar-se um virtuoso, um artista da sedução.

Conclusão

O sedutor profissional consegue descobrir rapidamente os desejos reprimidos nos demais, que pode representar. Ele é muito intuitivo.

O sedutor sabe apresentar desejos ocultos de maneira atraente, irresistível, porém dissimulada. Por que dissimulada? Pois para que se mantenha como sedutor é necessário que se guarde algum mistério, que ele continue encarnando aqueles desejos ocultos em nós, que por essa razão mesmo, pois ainda não emergiram, não têm forma totalmente definida.

A arte da sedução se resume a perceber desejos ocultos nos outros, expressá-los e, dissimulá-los, de maneira que os seduzidos sigam no rumo da descoberta dos impulsos interiores, que os conduzirão a se realizar e se modificar como pessoas.

E por qual razão, se somos todos sedutores natos, deveríamos nos preocupar com a arte da sedução, sofisticar e melhorar os nossos meios de seduzir? Não revelaria isso um narcisismo, vaidade, que seriam sinais de algum desequilíbrio no nosso estar conosco? Uma necessidade de ser amado e admirado? Sem dúvida, essas manifestações psicológicas estão presentes em vários sedutores, desde no clássico D. Juan, que seduzia mulheres, para nunca se deixar seduzir, até em musas do cinema, cuja crônica cinematográfica nos revela tratarem-se de pessoas infelizes e carentes de amor.

O sedutor artista pode também ser movido em sua atuação por impulsos mais nobres. O homem, desde as suas primeiras manifestações culturais na história, sempre correu atrás da beleza, perfeição. A sedução pelo belo, perfeito, é a sedução daquilo que não somos, devido à nossa feiura, imperfeição e confusão.

O que seduz com arte, que faz do processo da sedução um ato de beleza, de perfeição e de equilíbrio, é tão pouco condenável quanto a dona-de-casa que deixa a casa um brinco, quanto a datilógrafa caprichosa ou o operário exímio. Tudo são artes, busca dessa perfeição inalcançável, que nos seduz.

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