Orgasmos Femininos

Orgasmos Femininos

Orgasmos Femininos. O orgasmo é uma experiência muito complicada de estudar. Igualmente ao estudo do humor e da dor, o orgasmo necessita ser interpretado não somente por meio de mecanismos biológicos, como também por tendências psicológicas, sociológicas e históricas. No decorrer da história, em países ocidentais, os orgasmos femininos foram bastante examinados. Algumas vezes eram vistos como doentios e errados, e orgasmos que eram alcançados por meio de estímulos de uma relação que não fosse heterossexual eram vistos como inaceitáveis.

A ideia de que alguns orgasmos femininos são moralmente maiores a outros tem sido apoiada por profissionais da saúde.

Essa ideia estava tão presente na saúde do século passado que a incapacidade de chegar ao orgasmo por meio de sexo penetrativo heterossexual chegou se tornou um transtorno listado no DSM III “Livro de diagnóstico de psicologia e psiquiatria”.

Ainda que a maioria dos profissionais de saúde não leve em consideração a incapacidade de atingir o orgasmo por meio do sexo com penetração como um problema, muitas pessoas consideram que o orgasmo é um quesito primordial para sexo feliz, significativo e satisfatório. Algumas pessoas sentem também que os orgasmos devem ser reservados ao ato sexual, ao contrário de terem um orgasmo durante a masturbação. O orgasmo é excelente, mas a pressão para ter um orgasmo, ou um tipo de orgasmo em num certo momento, pode tornar o sexo estressante e desagradável.

mão de mulher representando orgasmos femininos tocando a laranja

Pesquisas

No entanto, não existe um acordo entre os pesquisadores da área sobre como classificar os orgasmos. Por exemplo, se estimular uma região do corpo faz com que os genitais fiquem excitados, levando a pessoa ao orgasmo; foi a estimulação da outra região do corpo que gerou o orgasmo ou a excitação dos genitais que o causou? Ainda que um pesquisador fizesse um estudo que utilizasse ferramentas que medissem os estímulos, ainda não seria suficiente; constantemente, pessoas com genitais femininos tem sinais de excitação sem se sentirem excitadas, sugerindo que os estímulos corporais são insuficientes de interesse sexual ou de prazer.

Um problema para os pesquisadores aparece na hora de reunir participantes para estudos sobre sexo e orgasmo. Inscrições de participantes num estudo é sempre muito complicado, mas quando alguém estuda um tópico visto como tabu ou privado, pode ser difícil garantir que sua amostra seja representativa de todas as pessoas em todas as culturas. Também pode ser complicado para os participantes lembrar com precisão onde e como eles foram estimulados para chegar ao orgasmo.

Então, considerando todas essas questões, por que falar sobre o assunto orgasmos? Dada a enorme quantidade de comentários sobre o orgasmo, é bom entender como nossos corpos e os dos nossos parceiros realmente trabalham para que possamos reduzir o estigma e o estresse durante o sexo. Nessa caminhada podemos aprender algumas coisas sobre como tornar o sexo mais agradável.

Diferentes estímulos ou tipos?

Existem vários artigos de ciência popular afirmando que existem entre 5 a 15 tipos diferentes de orgasmos. Da mesma forma mencionei antes, há um debate grande sobre como classificar orgasmos. Porém, existem poucas evidências que sustentam de maneira confiável a ideia de que estímulos diferentes gerem orgasmos de tipos e intensidades diferentes. A grande maioria das pessoas dizem que certos orgasmos femininos são melhores do que outros no entanto, isso não está obrigatoriamente ligado ao estímulo que gerou esse orgasmo.

Estimulo clitoriano

O clitóris é um grupo de terminações nervosas na região frontal da vulva feminina, por baixo do bulbo clitoriano. O clitóris, da mesma forma que o pênis, expande-se, fica ereto e mais sensível à medida que a pessoa fica mais excitada.

Estimular o clitóris é certamente, a forma mais fácil para maioria das mulheres sentirem um orgasmo. Em 2016, um estudo feito nos Estados Unidos com mais de 1000 mulheres, mostrou que 2 em cada 3 pessoas que tinham relações heterossexuais diziam precisar de estimulação clitoriana para ter orgasmos durante relação ou diziam que a estimulação clitoriana potencializava orgasmos mesmo que não fosse necessária para alcançá-lo.

Com isso, houve uma enorme diversidade de respostas sobre como e de que maneira a pessoa gostava que o clitóris fosse estimulado. Algumas até relataram que não gostavam de jeito nenhum. Os resultados do estudo são parecidos aos de outros estudos feitos com mulheres nos EUA no passado.

Estímulo Vaginal

Quando o orgasmo acontece somente devido à estimulação intencional da vagina, podemos dizer que é um orgasmo de estimulação vaginal. Ainda que o clitóris e outras regiões do corpo podem ser tocadas acidentalmente no processo, para se chegar a um orgasmo vaginal não deveria haver estimulação intencional de outras regiões do corpo.

Alguns pesquisadores falaram sobre a hipótese de que uma pessoa pode sentir um orgasmo somente com estimulação vaginal se tiver um ponto G super sensível ou de fácil estimulação. No entanto, o ponto G não é bem conhecido. Alguns defendem que o ponto G, na verdade é, um clitóris retraído ou alargado, ou ainda um conjunto de terminações nervosas ligadas ao clitóris. Há também quem acredite que o ponto G não existe. De qualquer maneira, não existe evidência que um orgasmo vindo da penetração seja maior a qualquer outro tipo de orgasmo; inclusive, a estimulação clitoriana intencional faze com que o orgasmo seja melhor ainda do que se ocorresse o orgasmo somente com penetração.

Estímulo de outras regiões do corpo

Existem menos pesquisas a respeito dos orgasmos femininos causados pela estimulação de regiões do corpo que não sejam as genitais. Uma vez que vários desses estudos são pequenos e já tenham décadas, a proporção de mulheres que reportam estes tipos de orgasmo pode ser não muito representativa da percentagem que veríamos num estudo maior. Assim, esses estudos sugerem que não seja necessariamente obrigatório estimular o clitóris ou vagina para sentir um orgasmo.

Pesquisa entre participantes com lesões complicadas na medula espinhal e com epilépticos parece mostrar que existam orgasmos que podem ser induzidos sem incorporação direta dos genitais.

Orgasmos fora do sexo

A excitação dos órgãos genitais e do próprio orgasmo não são somente experiências que acontecem durante o sexo.

Orgasmo gerado pelo exercício

Exercícios, especialmente treinos com pesos, cardio e exercícios focados no abdome, induzem orgasmos, chamados de coregasmos na linguagem popular. Isso faz algum sentido biologicamente falando, já que tanto o exercício quanto o sexo estimulam os músculos ao redor dos genitais e aumentam o fluxo do sangue para essa região do corpo. Exercícios também influenciam nosso humor através de endorfinas e outros neurotransmissores, igualmente ao sexo e orgasmo.

Orgasmos enquanto dormimos

Muitas pessoas vivenciam a excitação sexual ou orgasmo enquanto dormem. É difícil falar o que exatamente acontece. Por ser difícil confiar nos sonhos, não é possível dizer se toda a excitação e orgasmos enquanto dormimos são causados por sonhos sexuais. Da mesma maneira não existem estudos com pessoas que estimulavam seus corpos inconscientemente enquanto dormiam ou se estavam a ser estimuladas pela roupa de cama ou outro objeto. Sendo assim, não podemos afirma com precisão se os orgasmos durante o sono aconteceram sem estimulação alguma.

Melhores orgasmos

mulher deitada na cama de lingerie tendo orgasmos femininos

O foco de muitos artigos sobre o assunto orgasmos femininos é ajudar pessoas a aproveitarem melhor o orgasmo ou tentar novas experiências. Ainda que existam poucas evidências de que um tipo de estimulação é melhor do que outra, algumas pesquisas mostram que existam fatores que podem melhorar e mudar o orgasmo. Artigos publicados sugerem que a excitação sexual aumenta com:

  • maior tempo nas preliminares;
  • mudança de intensidade dos toques, incluindo parar e recomeça, essa técnica pode adiar o orgasmo tornando-o mais prazeroso;
  • um parceiro ou parceira com quem se sente uma ligação ou que se conheça bem o seu corpo;
  • o toque ou estímulo nos mamilos e peito;
  • experimentar de novas posições ou diferentes tipos de sexo.

Vida sexual mais feliz

Apesar da representação dos orgasmos femininos na mídia, e expectativas de nossos parceiros e do nosso próprio interesse pessoal nos façam sentir que temos que ter um orgasmo cada vez que fazemos sexo, uma vida sexual feliz não implica obrigatoriamente em ter um orgasmo fora de série cada vez que temos um encontro sexual. Muitas pessoas dizem que nem todos os orgasmos são similares, o que faz muito sentido. Nossas mentes e corpos mudam todos os dias, portanto não é realista esperar que o mesmo tipo de estimulação se traduza sempre na mesma experiência. O orgasmo é apenas um de muitos elementos na satisfação sexual

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